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Morales rouba a cena na véspera da posse de Bachelet | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente da Bolívia, Evo Morales, reuniu milhares de pessoas em um ato público em Santiago, na véspera da posse da presidente eleita do Chile, Michelle Bachelet, que assume o cargo neste sábado. O evento, realizado em um anexo do Estádio Nacional, foi organizado por cerca de 300 movimentos sociais e partidos de esquerda do Chile, que homenagearam o primeiro líder indígena a chegar ao poder na Bolívia. Pouco depois de chegar a Santiago, na sexta-feira, Morales já havia se reunido com Bachelet e com o presidente chileno, Ricardo Lagos, que deixa o cargo neste sábado. Essa é primeira viagem de Morales ao exterior desde que assumiu a Presidência da Bolívia, em janeiro. Trata-se também de um gesto de aproximação entre chilenos e bolivianos, que romperam relações diplomáticas em 1978. Neste sábado, Evo Morales vai acompanhar a cerimônia de posse de Bachelet, na cidade de Valparaíso. O evento reunirá representantes de diversos países, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice. 'Mar para Bolívia' O impasse nas relações entre Chile e Bolívia, que provocou o rompimento em 1978, tem origem em um litígio que se arrasta desde o século 19, quando a Bolívia perdeu acesso ao Pacífico em uma guerra com Chile e Peru. Apesar de o governo boliviano manter a reivindicação marítima, Evo Morales tem procurado usar a diplomacia para se aproximar do Chile, e os dois países estudam um possível reatamento das relações diplomáticas. No ato público que reuniu cerca de 7 mil pessoas em Santiago, Morales disse que entre Bolívia e Chile há apenas um "mar de amigos". A platéia que acompanhava o evento, que também contou com a presença de grupos folclóricos e artistas populares, reagiu com entusiasmo à declaração do presidente boliviano e passou a gritar em coro "Mar para Bolívia". "Para mim, esse ato é um sonho", afirmou Morales. "Seguramente, meus irmãos e irmãs na Bolívia, nossos companheiros do campo e da cidade, não vão acreditar que aqui vocês, o povo chileno, estão gritando 'Mar para Bolívia'." "Quero expressar, sobretudo com muito respeito, com muita humildade, esse sentimento do povo boliviano de reparar esse dano histórico", acrescentou. "Estou seguro de que vamos reparar esse passado para a Bolívia." 'Visita histórica' Pouco antes do ato público, ao desembarcar no Chile, Morales já havia declarado que essa era "uma visita histórica" para os bolivianos. Em seguida, o presidente boliviano se reuniu com Michelle Bachelet e entregou à presidente eleita do Chile um charango, instrumento de cordas típico do planalto andino. Há duas semanas, o presidente chileno, Ricardo Lagos, havia presenteado o vocalista da banda U2, Bono, com um charango, entregue ao músico irlandês como um símbolo do Chile. O presente causou polêmica entre os bolivianos, que também consideram o instrumento uma tradição cultural de seu país. "Vejo com muita esperança o governo do Chile, e especialmente uma mulher como presidente, porque a mulher é símbolo de justiça, é símbolo de diversidade e símbolo de unidade", disse Morales. "É um fato inédito e histórico que, assim como uma mulher é presidente do Chile, um homem de origem aimará seja o presidente da Bolívia", afirmou Bachelet, ao retribuir as palavras do líder boliviano. Diálogo Após o encontro com Bachelet, Evo Morales também se reuniu com Ricardo Lagos e, depois da conversa com o presidente chileno, comentou a importância da aproximação entre Bolívia e Chile. "É uma mostra de que os povos lutam pela irmandade, pela unidade latino-americana, esquecendo do nosso passado, do passado entre Chile e Bolívia", disse o líder boliviano. Morales, conhecido por um discurso cheio de críticas aos Estados Unidos, também falou sobre a reunião que terá em Valparaíso com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice. "Estamos dispostos a discutir uma verdadeira e efetiva luta contra o narcotráfico, que não pode ser só pretexto para controlar ou recuperar o poder político, o controle sobre nossos governos", afirmou o presidente da Bolívia. "Estamos sempre abertos ao diálogo", acrescentou. "Podemos falar com o presidente Bush, mas também com Fidel Castro". |
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