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21 de março, 2005 - 11h09 GMT (08h09 Brasília)

Bruno Garcez

Sete em dez americanos apóiam expansão, diz levantamento

Sete em cada dez americanos (70%) defendem o ingresso de outros países como membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, de acordo com uma pesquisa encomendada pela BBC e divulgada nesta segunda-feira.

O resultado reflete aproximadamente o resultado obtido na média dos 23 países consultados, 69%.

A maior parte dos americanos consultados também defende o fim do poder de veto no Conselho de Segurança. Segundo o levantamento, 57% dos americanos defendem a medida, ao passo que 34% se opõem.

A pesquisa foi realizada pelo instituto de opinião pública GlobeScan Incorporated e pelo órgão de política internacional da Universidade de Maryland, Pipa.

Brasil e países membros

Entre os pesquisados no Brasil, 62% defendem o fim do veto dos membros permanentes do Conselho.

Além dos americanos, a derrubada do poder de veto também conta com a aprovação de outros países que são membros permanentes do conselho. Ao todo, 56% dos britânicos consultados são favoráveis, e 35% contrários.

Na China, a proporção dos que defendem o fim do veto é menor: um total de 48% pessoas a favor e 36% contra.

Dois membros permanentes do Conselho mostraram-se divididos. Entre os franceses, a adoção da medida teria o apoio de 44%, com 43% se opondo. Na Rússia, a derrubada do veto é defendida por apenas 25%, com 29% contrários à medida, e 46% que não responderam.

Os libaneses são os mais ardorosos defensores do fim do veto: 84% são favoráveis.

'Sem surpresas'

Steven Kull, diretor da organização Pipa, da Universidade de Maryland, disse à BBC Brasil que o estudo "não trouxe surpresas", nem mesmo em relação à postura pró-expansão da ONU expressa pelos americanos.

"Há anos, nós e outras organizações percebemos que a maioria dos americanos quer uma ONU mais forte."

De acordo com Kull, ver o público americano defender a derrubada do poder de veto também não surpreendeu. "Os americanos entendem que o poder de veto torna difícil para a ONU agir de forma imediata e eficaz", diz o pesquisador.

Steven Kull acrescenta que o motivo pelo qual os americanos querem uma ONU mais forte é que eles "crêem na capacidade da instituição de resolver problemas internacionais e querem compartilhar com a ONU o fardo de manter a ordem mundial".

"Existe uma sensação de que os Estados Unidos acabam fazendo o papel de polícia mundial indevidamente. Eles prefeririam que a ONU exercesse esse papel", analisa Kull.

Cooperação internacional

O pesquisador comenta que os americanos "estão dispostos a abrir mão de algum controle para obter mais cooperação internacional", mas acrescenta que "há uma minoria que não quer abrir mão desse controle".

"É uma minoria muito ativa, mas há uma percepção equivocada de que este é um grupo maior do que ele é na realidade", afirma o pesquisador.

De acordo com Steven Kull, o estudo mostra com muita clareza que a maioria em todo o mundo quer que a ONU tenha um papel maior na decisão de temas mundiais.

"Até pessoas em três dos cinco países que são membros permanentes estão dispostas a abdicar do poder de veto absoluto. A urgência de mudanças dramáticas é muito palpável", afirmou.

Mais poderes à ONU

Uma maioria expressiva entre as pessoas ouvidas na pesquisa acreditam que a ONU deve se tornar "significativamente mais poderosa em relação a temas mundiais".

Nesse quesito, 60% dos brasileiros se disseram favoráveis, e 22% contrários. Mas o Brasil ficou atrás de diversas nações nessa categoria.

Os defensores com mais entusiasmo de uma maior concessão de poderes à ONU foram os alemães, com 87%. Em seguida ficaram Espanha, com 78%; Filipinas, com 77%; Indonésia, com 77%, e Grã-Bretanha, com 75%.

O tema não pareceu empolgar muito os argentinos, já que apenas 44% se disseram favoráveis, e 20% foram contrários, índice semelhante ao da Turquia: 40% a favor e 24% contra.

Expansão do conselho

Na Índia, um dos países que, assim como o Brasil, pleiteia uma vaga de membro permantes no Conselho de Segurança da ONU, a esmagadora maioria defende a ampliação do órgão: 87%, ao todo.

No Brasil, a medida contou com o apoio de 73% dos consultados, o que deixou o país atrás da Grã-Bretanha (74%), África do Sul (76%), Espanha (80%), Austrália (81%), Alemanha (81%), Canadá (84%) e Itália (86%).

No Brasil, a pesquisa foi realizada em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Curitiba e Brasília, em um universo de cerca de 800 pessoas de 18 a 69 anos de idade.