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06 de julho, 2007 - 09h12 GMT (06h12 Brasília)

'Preferimos a morte', diz líder de estudantes sitiados no Paquistão

O líder dos estudantes sitiados em uma mesquita pelas forças de segurança do Paquistão em Islamabad, Ghazi Abdul Rashid, disse que ele e seus seguidores preferiam a morte do que se entregar às autoridades.

Rashid, que é vice-líder da Mesquita Vermelha, palco há quatro dias de confrontos entre estudantes e a polícia que já mataram 19 pessoas, disse: "Podemos ser martirizados e não nos entregaremos. Estamos prontos para ter nossas cabeças cortadas mas não nos dobraremos a eles".

O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, ordenou uma interrupção temporária da operação promovida por forças de segurança que cercaram o local e tentam, há vários dias, forçar a saída de centenas de estudantes da mesquita.

Musharraf pediu às forças de segurança do país para serem pacientes e permitir que mulheres deixem o complexo da Mesquita Vermelha na capital, Islamabad.

O governo paquistanês rejeitou uma proposta de rendição condicional que tinha sido feita por Rashid.

A proposta veio depois que soldados realizaram explosões no local, destruindo partes da parede em três lugares.

Na noite de quinta-feira, boa parte da cidade ficou às escuras depois que tempestades provocaram a interrupção do fornecimento de energia elétrica.

'Mãe doente'

Na oferta de rendição, feita em uma entrevista por telefone exibida na televisão paquistanesa, Rashid disse que informou ao mediador do governo, Chaudry Shujaat Hussain, que seus seguidores estariam dispostos a de entregar.

"Eu estou fazendo esta oferta para salvar as vidas dos estudantes", afirmou.

Mas Abdul Rashid disse que impôs a condição de que ninguém que não fosse comprovadamente membro de um grupo militante clandestino ou procurado por algum crime fosse detido.

O clérigo também exigiu garantia de segurança para ele e sua família, dizendo que queria ficar no local com sua mãe doente até que pudessem se mudar para outro lugar.

O governo do Paquistão rejeitou a oferta, e o ministro da Informação, Tariq Azim Khan, disse que ele e os estudantes que ainda estão na mesquita terão que depor suas armas incondicionalmente como todos os que deixaram o prédio nos últimos dois dias.

O ministro disse que Abdul Rashid está envolvido em vários crimes.

Khan acusou os islamistas da Mesquita Vermelha de usarem mulheres e crianças como escudos humanos.

Segundo ele, muitas mulheres e crianças estão sendo mantidos como reféns por homens armados dentro da mesquita.

O ministro do Interior, Aftab Sherpao, afirmou que 740 homens e 400 mulheres já deixaram a mesquita.

O governo acredita que entre 300 e 400 estudantes permanecem entrincheirados na mesquita. Desses, cerca de 50 são militantes radicais, segundo Sherpao.

Nos últimos meses, os estudantes do complexo de madrassas ligado à Mesquita Vermelha vêm desafiando abertamente as autoridades paquistanesas, fazendo uma campanha em favor da adoção da sharia (lei islâmica).

Eles também são acusados de cometer crimes como a ocupação de prédios públicos e o seqüestro de policiais e de pessoas que os líderes da mesquita dizem estar envolvidos em atividades imorais, como prostituição.

Segundo a correspondente da BBC Barbara Plett, em Islamabad, os radicais não têm muito apoio da população da capital, que parece estar satisfeita com as ações das forças de segurança.

Mas, de acordo com Plett, em áreas mais conservadoras do país, como na província da Fronteira Noroeste, região natal da maioria dos estudantes, as ações do governo não devem receber apoio.