22 de agosto, 2006 - 09h28 GMT (06h28 Brasília)
Amaral Duclona, líder de uma das principais milícias do Haiti, disse que as tropas de paz da ONU, sob comando brasileiro, são as responsáveis pelo fracasso do plano para desarmar os grupos armados do país.
"A Minustah (a força da ONU) preocupa a população. Por isso decidimos não nos desarmar hoje", disse ele na noite de segunda-feira, prazo de uma acordo para o desarmamento.
Duclona, que é o líder de gangue mais procurado do país, disse que o desarmamento não vai acontecer até que os soldados parem de realizar batidas violentas na favela de Cite Soleil, o bairro mais pobre e violento da capital do Haiti, Porto Príncipe.
"Se os grupos armados não atirarem em nós, não atiramos neles", disse o tenente Neuzivaldo do Anjos, porta-voz militar brasileiro sobre o assunto. O país contribui com a maior parte dos 8,8 mil soldados da ONU no Haiti.
Ameaça
O governo haitiano ainda não comentou a acusação de Duclona, que pediu a presença de representantes da administração federal em Cite Soleil.
As forças de paz da ONU foram enviadas ao Haiti após a revolta popular de 2004 que acabou depondo o governo do presidente Jean-Bertrand Aristide, agora exilado na África do Sul.
Muitos integrantes de gangues morreram nos últimos meses em choques com as tropas da ONU e a polícia. Vários moradores de Cite Soleil deixaram suas casas.
O presidente René Préval havia dito no início do mês que a polícia iria assassinar integrantes das gangues que recusassem a se desarmar.
A declaração, considerada a mais forte desde que assumiu o poder em maio, foi feita após uma onda de seqüestros ter ocorrido no mês passado.
Mais de 40 cidadãos americanos foram seqüestrados no último ano.