30 de junho, 2006 - 02h05 GMT (23h05 Brasília)
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu ao Congresso americano que aprove a venda de 18 novos caças F-16 para o Paquistão, num momento em que um acordo nuclear dos Estados Unidos com a Índia tramita com sucesso no legislativo americano.
O governo submeteu um pacote de cooperação que inclui uma opção para a compra de mais 18 caças e uma oferta para modernizar os aviões F-16 que já possui.
O Congresso tem 30 dias para analisar o acordo com o Paquistão, tradicional aliado americano.
O Departamento de Estado disse que o acordo não está ligado à aprovação da lei sobre a cooperação nuclear com a Índia.
Levou uma hora para a Comissão de Relações Exteriores do Senado endossar o acordo com a Índia por 16 votos a dois na quinta-feira, depois de aprovado por um painel da Câmara dos Representantes na terça-feira.
A porta-voz do Departamento de Estado, Julie Reside, disse que o acordo de US$ 5 bilhões com o Paquistão não está relacionado ao acordo com a Índia.
A Índia e o Paquistão são rivais históricos, e já travaram três guerras pelo território da Caxemira e ambos possuem armas nucleares.
"Nós acreditamos no tratamento de cada país individualmente", disse ela. "Cada um deles enfrenta questões de defesa diferentes."
Segundo Reside, a venda é "parte de um esforço para ampliar a parceria estratégica com o Paquistão".
Democratização
O pedido de Bush ao Congresso é feito no mesmo dia em que o governo do Paquistão reage com veemência a uma declaração da secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, sobre as eleições presidenciais de 2007 no país.
Rice, que esteve terça-feira no Paquistão, havia dito a repórteres durante a viagem que “tem de haver, o mundo espera que haja eleições livres, honestas e democráticas no Paquistão em 2007”.
O Ministério paquistanês de Relações Exteriores reagiu na noite de quarta-feira, afirmando que não necessita de “conselhos externos” sobre seu processo democrático. “Esses assuntos dizem respeito ao povo do Paquistão”, expressou, em nota.
O general Musharraf, aliado dos Estados Unidos na chamada “guerra contra o terror”, assumiu o poder após um golpe de Estado em 1999, e concedeu a si mesmo mais cinco anos no governo em 2002.