28 de junho, 2006 - 22h27 GMT (19h27 Brasília)
O primeiro-ministro palestino, Ismail Haniya, pediu nesta quarta-feira à Organização das Nações Unidas (ONU) que intervenha na Faixa de Gaza para impedir uma escalada da violência após incursão israelense.
O líder do movimento Hamas fez essas declarações depois que as forças israelenses assumiram posições no sul da Faixa de Gaza, em operação iniciada na noite de terça-feira, para tentar libertar um soldado israelense seqüestrado por militantes palestinos.
Haniya também acusou os Estados Unidos de darem luz verde para os israelenses realizarem a ofensiva militar depois que o porta-voz do presidente George W. Bush disse que Israel tinha o direito de se defender e defender a vida de seus cidadãos.
Segundo o primeiro-ministro palestino, os Estados Unidos estão ignorando o que acontece com o povo de Gaza que, disse ele, enfrentam a perspectiva de uma guerra total.
Israel disse que está disposto a tomar medidas extremas para libertar o soldado capturado.
Há notícia de que dois outros israelenses foram seqüestrados por militantes, mas não há declaração oficial por parte do governo de Israel.
Em meio à ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza, militantes ligados ao grupo palestino Fatah anunciaram nesta quarta-feira que estariam com um terceiro refém israelense em seu poder.
Segundo a agência de notícias AP, um comunicado assinado por Abu Fouad, porta-voz da Brigada dos Mártires Al Aqsa, alega manter um israelense de 62 anos em cativeiro.
O grupo palestino não identificou o homem, mas disse que ele é da cidade de Rishon Lezion.
Ainda segundo o comunicado, mais evidências de que o grupo tem de fato o refém seriam reveladas em breve.
Seqüestros
O ministro da Justiça israelense, Haim Ramon, afirmou não ter nenhuma informação sobre o assunto.
Um porta-voz da polícia israelense, Micky Rosenfeld, declarou que um homem de 62 anos foi dado como desaparecido na segunda-feira, mesma data que a Brigada alega ter feito o seqüestro.
De acordo com as informações da polícia, que trata o caso como sendo de desaparecimento e não de seqüestro, o desaparecido é Noah Moskovitch.
Este seria o terceiro seqüestro desde domingo, quando o grupo palestino Comitê de Resistência Popular capturou o soldado israelense Gilad Shalit.
Na tarde desta quarta-feira, o Comitê de Resistência Popular também exibiu os documentos de um colono israelense, Eliahu Asheri, como prova do seqüestro, embora Israel também não tenha confirmado o caso.
"Punição coletiva"
No ataque desta quarta-feira, foram destruídas pontes e um gerador de energia, deixando 1,4 milhão de pessoas sem eletricidade, incluindo hospitais.
O presidente palestino, Mahmoud Abbas, classificou os ataques como "punição coletiva".
O governo palestino liderado pelo Hamas também reforçou o pedido dos militantes para que Israel aceite trocar o soldado capturado por mulheres e crianças mantidas como prisioneiros pelos israelenses.
Israel já havia rejeitado a proposta.