27 de maio, 2005 - 08h12 GMT (05h12 Brasília)
Diplomatas japoneses viajaram para a ilha Mindanao, nas Filipinas, para investigar relatos de que dois moradores da ilha seriam soldados do Japão que vivem na selva desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Os supostos veteranos, que têm mais de 80 anos de idade, vivem com grupos rebeldes muçulmanos nas montanhas e, segundo relatos, desejavam retornar ao Japão mas temiam enfrentar uma corte marcial.
Em 1974, um soldados japonês, o tenente Hiroo Onoda, foi encontrado na selva filipina, na ilha de Lubang, e não sabia que a guerra havia acabado quase 30 anos antes.
Ele se recusou a se entregar até que seu antigo comandante foi levado para o local e insistiu que Onoda deixasse a floresta. O veterano japonês acabou emigrando para o Brasil.
Segundo correspondente da BBC em Tóquio, é provável que esses dois homens em Minadanao soubessem que a guerra terminou.
Mortos
Os dois entraram em contato com um cidadão japonês que recolhia os restos mortais de vítimas da guerra na ilha, de acordo com fontes do governo do Japão.
Eles possuíam equipamento que sugeria que eram antigos soldados.
"É uma história incrível, se for verdadeira", disse o cônsul japonês na capital filipina, Manila, Akio Egawa, à agência de notícias AFP.
"Eles foram encontrados, acho, nas montanhas perto de General Santos, na ilha de Mindanao", afirmou Egawa.
A ilha passou por uma rebelião muçulmana nas últimas duas décadas e muitas áreas estão fora do controle do governo central.
O Japão invadiu as Filipinas em 1941, pouco depois do bombardeio de Pearl Harbour, e instalou um governo fantoche brutal.
Nos últimos meses da guerra, houve pesados combates com tropas americanas nas ilhas de terreno montanhoso cobertas de densa floresta.
Segundo o jornal Sankei Shimbun, os homens provavelmente são membros da divisão Pantera. Cerca de 80% desses militares morreram ou desapareceram nos últimos meses de hostilidades.
Especula-se que até 40 soldados japoneses vivem em condições semelhantes nas Filipinas.