25 de junho, 2004 - 17h02 GMT (14h02 Brasília)
Diego Toledo
enviado especial a Lisboa
Superação
Após uma noite de glória, em que foi decisivo para a vitória de Portugal contra a Inglaterra, o técnico Luiz Felipe Scolari afirmou que uma das chaves para o triunfo da seleção portuguesa foi a “superação” dos jogadores.
“A gente fica feliz porque Portugal é uma equipe que tem um bom trabalho, um bom toque de bola, mas muitas vezes faltava essa parte de ser mais aguerrida, e hoje a gente já tem isso”, afirmou o treinador.
Muito elogiado pela imprensa e pelos torcedores portugueses pelas mudanças que fez durante a partida, Scolari tem impressionado pela maneira como motiva os jogadores de uma equipe que, até pouco tempo atrás, tinha a apatia como ponto fraco.
Depois da vitória contra a Inglaterra, o técnico protagonizou uma das cenas mais marcantes da noite ao, emocionado, comemorar a vitória portuguesa, com abraços ao goleiro Ricardo (uma das apostas do treinador) e bandeiras do Brasil e de Portugal.
Eusébio
Um dos torcedores mais eufóricos com a classificação de Portugal para as semifinais da Eurocopa era o ex-jogador Eusébio, maior craque da história do futebol português.
Durante a disputa de pênaltis, Eusébio não controlou a emoção, desceu ao gramado e correu em direção ao goleiro Ricardo. “Lembrei-me de uma frase do meu amigo Yashin (lendário goleiro soviético) que dizia que, para defender um pênalti, o goleiro deve ficar parado e olhar quem vai bater a bola”, disse o ídolo português.
Quando o jogo acabou, em estado de euforia, Eusébio – que sofreu a derrota mais marcante de sua carreira contra a Inglaterra, na semifinal da Copa do Mundo de 1966 – entrou no campo, ajoelhou-se e beijou o gramado.
“Estávamos a chorar. Ele (Ricardo) disse ‘obrigado, king’. Eu respondi que o que interessava era a bandeira de Portugal. Hoje (quinta-feira), sou um homem feliz”, afirmou Eusébio.
Beckenbauer luso
Além do técnico Luiz Felipe Scolari e do goleiro Ricardo, os portugueses também elegeram outros heróis pela vitória contra a Inglaterra: o atacante Postiga, o meia Rui Costa e o zagueiro Ricardo Carvalho.
Apontado pela Uefa como o melhor jogador em campo, Ricardo Carvalho - campeão europeu com o Porto - já havia recebido muitos elogios por suas atuações contra a Rússia e a Espanha.
O zagueiro, que ganhou a posição do veterano Fernando Couto após a derrota de Portugal na estréia contra a Grécia, despertou o interesse de vários clubes europeus, incluindo Real Madrid, Barcelona, Manchester United e Inter de Milão.
O status de Ricardo Carvalho entre os portugueses chegou a tal ponto que, na edição desta sexta-feira, o diário esportivo A Bola descreve o jogador como o “Beckenbauer luso”.
A rótula de Nedved
Sensação da primeira fase da Eurocopa, a seleção da República Checa tem como principal destaque o meia Pavel Nedved, que recebeu no ano passado o tradicional prêmio Bola de Ouro (entregue pela revista France Football ao melhor jogador do futebol europeu).
Nos treinos que antecedem a semifinal contra a Dinamarca, o médico da seleção checa, Petr Krejci, revelou que Nedved não é especial apenas por seu talento, mas também por ter um joelho “diferente”.
“A maioria das pessoas tem apenas um osso na rótula. Um por cento possui dois ossos, mas três... só o Nedved”, afirmou Krejci.
O médico checo disse que a descoberta surgiu em exames realizados quando o jogador atuava na Lazio, da Itália. De acordo com Krejci, a rótula dividida em três faz com que Nedved corra de uma forma muito peculiar, como se estivesse se arrastando.
Bola redonda
A partida das quartas-de-final que vai definir o próximo adversário de Portugal, entre Holanda e Suécia, deve colocar o atacante Zlatan Ibrahimovic contra seus companheiro de clube no Ajax.
“Falei com alguns deles, mas não disse nada de especial. Vai ser engraçado jogar contra alguns dos meus colegas de equipe”, afirmou o camisa 10 da seleção sueca.
Ibrahimovic, que conta com o apoio no ataque do veterano Henrik Larsson, disse que a partida contra a Holanda será complicada, mas demonstrou confiança com as chances de vitória.
“Nos jornais, a Holanda é favorita, mas não devemos ser subestimados. É difícil, mas a bola é redonda e tudo pode acontecer”, filosofou o atacante sueco.
Adversários cordiais
O outro duelo do fim de semana pelas quartas-de-final da Eurocopa reúne as seleções da Dinamarca e da República Checa. A partida também terá um confronto entre jogadores que defendem o mesmo clube: o meia dinamarquês Martin Jörgensen e o lateral checo Marek Jankulovski, do Udinese, da Itália.
“Ele me disse que preferia nos enfrentar na final. Não pode ser, paciência”, comentou o jogador da seleção dinamarquesa.
O clima de cordialidade para o duelo entre as duas equipes ainda foi reforçado pelo treinador da Dinamarca, o ex-jogador Morten Olsen, que elogiou muito o estilo ofensivo da seleção checa.
“A República Checa é um dos bons exemplos. Tem um futebol atrativo e assume a vontade de ganhar. Será, seguramente, um bom jogo de futebol”, disse o técnico dinamarquês.