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Boicote prejudica campanha contra a pólio na África

Uma grande iniciativa para erradicar a pólio teve início em dez países da África Ocidental.

O projeto de vacinação, considerado como o esforço final para erradicação da paralisia infantil, cobrirá cerca de 60 milhões de crianças em três dias.

No entanto, os estados de Kano e Zamfara, no norte da Nigéria, estão se recusando a cooperar até que, dizem eles, haja confirmação de que a vacina é segura.

A Nigéria conta com metade de todos os novos casos de pólio. Kano, onde a iniciativa antipólio foi suspensa no ano passado, está no centro do reaparecimento da doença.

Urgência

Kano suspendeu as imunizações após informações de clérigos muçulmanos de que a vacina estava contaminada com um agente anti-fertilidade como parte de uma conspiração dos Estados Unidos para tornarem inférteis as mulheres muçulmanas.

“A menos que sejamos convencidos pelo nosso comitê de especialistas sanitários de que as vacinas orais de pólio são seguras, a campanha continua suspensa no estado de Kano”, disse o porta-voz do governo de Kano, Sule Ya’u Sule.

Alguns estudos mostraram que a vacina é segura mas um relatório divulgado no mês passado dizia que traços do hormônio reprodutivo estrogênio foram encontrados.

A Organização Mundial da Saúde, que rejeita as alegações dos clérigos, convocou uma reunião urgente no mês passado para exortar os países onde a pólio ainda é endêmica a erradicarem a doença.

Ganhos perdidos

“Corremos o risco de perder o que já ganhamos. Não podemos erradicar a pólio globalmente sem a ação de todos”, disse o porta-voz do Fundo da ONU para a Infância, Gerrit Beger.

O Ministério da Saúde da Nigéria criou uma equipe para acompanhar testes da vacina em laboratórios na África do Sul, Índia e Indonésia. O grupo já regressou à Nigéria.

Um membro da equipe disse à BBC que estavam trabalhando duro para divulgar as suas conclusões o mais cedo possível.

Funcionários da saúde em Kano e no estado vizinho de Zamfara, que também suspendeu as vacinações, estão alegadamente a treinar pessoal na expectativa de que a campanha continue em breve.