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Montesinos será julgado por venda de armas às Farc

O ex-chefe do Serviço Secreto do Peru, Vladimiro Montesinos, enfrenta nesta terça-feira um julgamento por venda de armas para as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Montesinos é acusado de ser o responsável por uma operação em que dez mil fuzis AK-47, provenientes da Jordânia, foram vendidos para o grupo rebelde colombiano.

Se for considerado culpado, o ex-assessor do ex-presidente Alberto Fujimori, pode ser condenado a 20 anos de prisão.

Sua advogada, Estela Valdivia, nega todas as acusações afirmando que ''não há nenhuma prova que vincule Montesinos ao tráfico ilegal de armas para as Farc''.

Valdivia também reclamou do tratamento que Montesinos está recebendo na prisão da Base Naval de Callao, onde está cumprindo pena por corrupção.

Montesinos não compareceu a nenhum de seus julgamentos alegando motivos de segurança e espera-se que ele repita a estratégia neste também.

O promotor Ronald Gamarra respondeu aos comentários da advogada de Montesinos afirmando que ele ''quer atrasar este processo porque teme ser condenado já que há provas suficientes de sua responsabilidade''.

'Ligação com a CIA'

Segundo Gamarra existem indícios de que Montesinos contou com o apoio da CIA, o serviço secreto americano, '' no tráfico de armas para as Farc''.

Um porta-voz da CIA em Washington se recusou a falar sobre o tema , limitando-se a declarar que ''o caso está nas mãos da Justiça''.

A advogada de Montesinos, por sua vez, negou o contato direto entre seu cliente e a CIA, afirmando que eram ''reuniões de trabalho onde se buscava informação para acabar com o o crime mundial''.

Montesinos está cumprindo uma sentença de oito anos de prisão por ter dado verbas do Estado para que um político usasse na campanha eleitoral de Fujimori. Além disso, ele também cumpre nove anos por abuso de poder.