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Mundo lamenta a morte de Sérgio Vieira de Mello

Líderes de diversos países lamentaram a morte do representante especial da ONU no Iraque, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello.

O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan - que nomeou Vieira de Mello para o cargo em maio -, disse que se trata de um "duro golpe" para as Nações Unidas e para ele próprio.

"É difícil de suportar a morte de qualquer colega, mas eu não consigo pensar em outra pessoa de quem precisássemos mais ou cuja falta seria mais sentida em todo o sistema da ONU", afirmou Annan, em nota oficial divulgada após a morte do funcionário de carreira da ONU.

Na nota, o secretário elogia o charme, a energia e a habilidade diplomática que Vieria de Mello teria demonstrado em missões como as de Kosovo e do Timor Leste e conclama a ONU a continuar o seu trabalho no Iraque para que sua morte não tenha sido "em vão".

O Timor Leste hasteou a bandeira a meio pau em homenagem ao diplomata que supervisionou a violenta transição do país de território da Indonésia a país independente.

A própria Indonésia condenou o atentado que matou o brasileiro, entre outras 17 pessoas, e lamentou a perda de quem "personificava a alta dedicação e coragem daqueles que servem a humanidade sob o signo da ONU, frequentemente nas circunstâncias mais difíceis".

O presidente timorense, Xanana Gusmão, descreveu Vieira de Mello como um "amigo único e inesquecível, que lutou incansavelmente pela democracia, direitos humanos e justiça".

Responsável pela administração do território na transição entre o plebiscito que decidiu pela independência e a eleição de Gusmão, Vieira de Mello permaneceu dois anos e meio no país.

Europa

Em Barbados, onde passa férias, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair também expressou pesar pela morte do representante da ONU no Iraque.

"Vieira de Mello estava fazendo um ótimo trabalho, esforçando-se para trazer paz e estabilidade para essas pessoas (os iraquianos). A sua morte é uma grande perda", afirmou Blair.

O presidente francês, Jacques Chirac, também teceu elogios ao trabalho de Vieira de Mello. "As ações inteligentes e corajosas sob a sua liderança conquistaram estima e admiração unânimes", disse Chirac.

O primeiro-ministro alemão, Gerhard Schröder, por sua vez, definiu a morte do diplomata brasileiro como "uma perda especialmente dolorosa", na carta que enviou ao secretário-geral da ONU, condenando o atentado à sede da organização.

O chefe da Comissão Européia, Romano Prodi, enviou uma nota de indignação à ONU em que classifica o ataque contra a organização como "bárbaro".

EUA

O presidente americano, George W. Bush, telefonou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para oferecer os pêsames pela "grave perda", representada pela morte de Vieira de Mello.

Em visita ao Chile, Lula pediu um minuto de silêncio, durante o seu encontro com o presidente chileno, Ricardo Lagos, na Granja do Torto. O presidente também instituiu três dias de luto pela morte do diplomata brasileiro que havia mais de 30 anos servia à ONU.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, também falou sobre Vieira de Mello. "É uma perda que não se repõe. Um brasileiro que honra a nossa cidadania. Mas ficará para sempre na memória o exemplo de um homem que batalhou pela paz, pelos direitos humanos, pela reconstrução, pelo multilateralismo", disse Amorim.

A Arábia Saudita disse condenar de forma enérgica o ataque que matou Sérgio Vieira de Mello.

O atentado à sede da ONU também provocou indignação na China. "Estamos profundamente chocados com este incidente", afirmou o presidente Hu Jintao.